Com o desenvolvimento tecnológico e o nascimento de novas profissões, passar o dia a olhar para um ecrã tornou-se não só um hábito, mas também uma necessidade. No entanto, apesar das vantagens práticas das tecnologias, há quem, nas redes sociais, manifeste preocupação com a exposição constante à luz emitida por estes aparelhos. Em algumas destas publicações alega-se, inclusive, que a luz azul dos ecrãs danifica a visão. Mas esta ideia está provada cientificamente?
Os nossos olhos conseguem ver luzes de cores que vão desde o vermelho ao violeta. Uma delas é a luz azul, que tem um comprimento de onda entre os 380 e os 500 nanómetros no espectro da luz visível.
Existem fontes artificiais de luz azul, como os ecrãs dos telemóveis, tablets ou computadores, mas também há uma fonte natural deste tipo de luz: o sol.
No segundo caso, a luz solar é fundamental para o funcionamento do nosso corpo, por ser uma das pistas externas que indica ao cérebro quando é de dia e quando é de noite, o que influencia várias funções do organismo (por exemplo, o sono).
Os estudos sobre os efeitos da luz azul na visão não foram realizados em humanos, mas sim em animais (como moscas e roedores) e culturas de células. Por isso, não é possível tirar conclusões diretas em relação ao impacto da luz azul dos ecrãs na visão em seres humanos.
Em declarações ao viral, a oftalmologista Sara Vaz-Pereira refere que “já se percebeu que as luzes ultravioleta e azul podem provocar alguns efeitos no olho – quer seja nos modelos animais, quer seja nos modelos celulares.” Contudo, acrescenta a médica, “não sabemos o efeito exato que tem no olho humano.”
No mesmo sentido, a oftalmologista Ângela Carneiro adianta que “a luz azul, potencialmente, pode provocar lesões” e “danificar várias estruturas do globo ocular se for uma luz azul muito intensa monocromática”.
Contudo, estes resultados foram obtidos em estudos feitos em condições específicas e os testes não foram realizados em seres humanos. Ou seja, estas experiências laboratoriais não mimetizam as condições em que os humanos vivem habitualmente.
“O nível de luz azul que existe nos ecrãs está muito abaixo do nível que, teoricamente, provoca lesão nessas condições experimentais. Portanto, não é suficiente para provocar lesão aguda. Subsistem dúvidas”, afirma Ângela Carneiro.
Em suma, “não há evidência científica sólida que diga que a exposição prolongada à luz azul é nefasta para nós” no que diz respeito à visão, resume Sara Vaz-Pereira.
Quanto à relação entre a luz azul e as doenças já existentes, Ângela Carneiro adianta não haver “ainda uma evidência clara que demonstre que a exposição à luz azul provoca um agravamento na doença”.
Ainda que não esteja provado que a luz azul dos ecrãs provoque danos na visão, sabe-se que este tipo de luz “interfere com os nossos ritmos circadianos, ou seja, com o nosso relógio biológico”.
A exposição à luz azul interfere com a produção de hormonas que regulam estes ritmos, nomeadamente ao bloquear a produção de melatonina (a hormona que sinaliza ao organismo que é de noite).
Isto faz com que, mesmo que esteja de noite lá fora, o organismo não perceba que é hora de descansar, porque o cérebro interpreta a luminosidade dos ecrãs como sendo dia, podendo prejudicar o sono.
Existe um conjunto de doenças que começam a surgir com a idade como a catarata e a degenerescência macular da idade (DMI).
As patologias da retina, bem como outras do olho, são muitas vezes silenciosas. Durante anos, os doentes não têm sintomas. Daí a importância de se fazerem consultas de oftalmologia com regularidade.
“Infelizmente ainda vemos muitas pessoas que chegam aos 50 anos e dizem ‘nunca fui ao oftalmologista’”, refere Sara Vaz-Pereira.
“Tal como crianças que não cumprem os rastreios recomendados aos 3, 5, 10 anos… Haver um rastreio adequado é mais importante do que estarmos preocupados com esta questão da luz azul”, alerta a especialista.
No que diz respeito à tecnologia, evitar a exposição excessiva aos ecrãs é o mais importante.
Por outro lado, hidratar os olhos se necessário (com lágrimas artificiais) e fazer as pausas recomendadas também são boas estratégias. A cada 20 minutos de utilização de ecrãs devem fazer-se intervalos de pelo menos 20 segundos nos quais focamos o olhar em algo que esteja longe de forma a relaxá-lo.
Em crianças abaixo dos três anos, a exposição a ecrãs deve ser evitada ao máximo.
Rua Dr Nicolau de Bettencourt, nº 39, 1050-078 Lisboa -Ver mapa
Registo ERS: E104862 | Licença: 8408/2014 | NIPC: 504793357
Diretor Clínico: Prof. Dr. Marques Neves | OM 31093
Rua Dr Nicolau de Bettencourt, nº 41, 1050-078 Lisboa -Ver mapa
Registo ERS: E122769 | 8410/2014 | NIPC: 504793357
Diretor Clínico: Prof. Dr. Marques Neves | OM 31093
Av. de Berna nº 39, 1050-038 Lisboa -Ver mapa
Registo ERS: E158164 | Licença: 17584/2019 | NIPC: 504793357
Diretor Clínico: Prof. Dr. Marques Neves | OM 31093
Av. D. Nuno Álvares Pereira, 76A 1º, 2800-177 Almada -Ver mapa
Registo ERS: E117040 | Licença: 8409/2014 | NIPC: 504793357
Diretor Clínico: Dra. Manuela Cidade | OM 15161
Rua Costa Pinto, n. 271, 2645-185 Alcabideche -Ver mapa
Registo ERS: E173410 | Licença: 25020/2024 | NIPC: 504793357
Diretor Clínico: Dra. Sara Frazão | OM 56775