Na via das dúvidas, nada como consultar o artigo educativo da Dra. Ana Miguel Quintas (OM
45783), oftalmologista especialista em Córnea e Superfície Ocular Externa.
Por vezes há alguma confusão entre os termos terçolho, chalázio ou calázio e hordéolo.
Tentarei de forma simples e clara esclarecer essas dúvidas. Embora todos se manifestem como
uma
pequena tumefação na pálpebra, não são exatamente a mesma entidade e não têm a mesma
causa nem evolução.
O hordéolo, a que muitas pessoas chamam terçolho, é uma infeção aguda de uma glândula da
pálpebra. Surge de forma rápida, é habitualmente doloroso, a pálpebra fica vermelha, inchada
e sensível ao toque, podendo aparecer um pequeno ponto amarelado semelhante a uma borbulha.
Na maioria dos casos é provocado por bactérias que fazem parte da flora normal da pele e que
entram numa glândula obstruída.
O tratamento baseia-se sobretudo em calor local várias vezes ao dia. Antibiótico tópico só
está indicado em situações selecionadas, quando há sinais claros de infeção associada.
O chalázio, também chamado calázio, é diferente. Não se trata de uma infeção, mas de uma
inflamação crónica resultante da obstrução de uma glândula de meibomio. Manifesta-se como
um nódulo firme na pálpebra, geralmente indolor, que cresce de forma lenta e pode persistir
durante semanas ou meses.
É importante referir que um hordéolo pode evoluir para chalázio quando a fase infecciosa
aguda resolve, mas a obstrução da glândula se mantém e dá origem a um nódulo inflamatório
crónico.
Por isso, algumas situações que começam como terçolho acabam por permanecer como
chalázio.
Em termos simples, o hordéolo é agudo e doloroso; o chalázio é mais lento, habitualmente
indolor e persistente. Em qualquer dos casos, trata-se de situações benignas e, na maioria
das vezes, autolimitadas, embora devam ser avaliadas quando são recorrentes, persistentes ou
atípicas.
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